os pacientes com Síndrome de Irlen podem utilizar overlays (lâminas transparentes de diversos tons de cor) para a leitura e filtros especiais que são colocados nos óculos
os pacientes com Síndrome de Irlen podem utilizar overlays (lâminas transparentes de diversos tons de cor) para a leitura e filtros especiais que são colocados nos óculos
(Last Updated On: 12/11/2018 16:00)

Não é de hoje que médicos e educadores sabem que muitas deficiências de aprendizagem podem estar relacionadas a problemas decorrentes da visão. Mas em muitos casos, o uso de óculos não é suficiente e é preciso ter uma investigação mais ampla para identificar o problema. Você já ouviu falar da Síndrome de Irlen?

Pois bem, em Belo Horizonte existe o Laboratório de Pesquisa Aplicada à Neurovisão, o LAPAN,  um avançado centro de pesquisa tem ajudado a melhorar o diagnóstico do distúrbio que hoje atinge entre 10% e 15% da população em geral e, pode estar, mais frequentemente relacionada a casos de déficit de atenção e dislexia.

O médico Ricardo Guimarães, é doutor em oftalmologia, e está à frente do LAPAN. Ele tem se empenhado na mobilização da classe médica e de outros profissionais ligados à educação sobre a importância em identificar as pessoas que são obrigadas a conviver com com este tipo de distúrbio.

Recentemente, a psicopedagoga clínica e professora Carla Silva participou do 3º Congresso Nacional de Neurociência Aplicada à Educação. Ela faz parte do grupo de pesquisa que atua no LAPAN e que mantém uma ligação direta com a doutora Helen Irlen que foi quem primeiro identificou o distúrbio de processamento visual.

Para Carla Silva, a correta identificação do transtorno deve levar em consideração algumas questões: “Importante que o médico pergunte sobre leitura, cansaço em atividades visuais de maior demanda atencional, ajuste às mudanças de luminosidade, habilidade em esportes, enjoos quando anda de carro, cefaleias e enxaquecas, compreensão e atenção na leitura entre outros aspectos”, explicou.

Existe um esforço para que haja um correto diagnóstico do problema pelos especialistas sobre a Síndrome de Irlen, muitas vezes, crianças que apresentam problemas na leitura fotossensibilidade e manutenção da atenção aos esforços visuais prolongados são diagnosticadas equivocadamente com dislexia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDHA).

A psicopedagoga clínica chama atenção ainda de que “a Síndrome de Irlen independe da idade, nível de inteligência e acuidade visual. A origem é genética e está associada ao tempo que a informação visual é percebida e processada pelo cérebro”, comentou Carla Silva.

O diagnóstico correto vai evitar o uso inadequado de remédios onde a agitação e a desatenção das crianças são resultantes do estresse visual, e também na dificuldade em se ajustar às condições de luminosidade de uma sala de aula. O tratamento tem apoio do uso de overlays (lâminas transparentes de diversos tons de cor) para a leitura e filtros especiais que são colocados nos óculos.

“Faz-se necessária, a conscientização por parte dos profissionais da saúde e educação. A contribuição da oftalmologia é importante e, torna- se um diferencial de significativo impacto em beneficio da aprendizagem. Profissionais médicos necessitam conversar com profissionais de Educação a este respeito”, alertou Carla Silva.

Em Belo Horizonte, o LAPAN é coordenado pela pesquisadora e doutora Márcia Guimarães, o local oferece tratamento para os distúrbios relacionados à Neurovisão. O Hospital de Olhos é mantém, parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), cofundador e mantenedor do laboratório.

O que é?
Um dos principais distúrbios estudados pela Neurovisão. Crianças e adultos se queixam de distorções visuais e dificuldades de leitura. As letras parecem dançar, pulsar ou tremer à frente dos olhos. Há restrição de abrangência focal, ou seja, as palavras, frases e o texto são vistos em partes e não como um todo. A visão espacial é prejudicada. É também difícil manter o olhar focado. O paciente sente dor nos olhos ou dor de cabeça com frequência.

Para as pessoas nessas condições, locais menos iluminados são os melhores para a execução de tarefas que exigem esforço visual, porque as luzes fluorescentes, a luz solar direta e faróis de carros podem ser muito desconfortáveis.

Os pacientes também têm dificuldade de percepção de profundidade, o que prejudica a avaliação tridimensional do ambiente e impacta em atividades como dirigir, praticar esportes com bola ou mesmo ações simples, como subir escadas.

Qual é a causa?
A Síndrome de Irlen é causada por um desequilíbrio na capacidade de adaptação à luz e que se manifesta, normalmente, no déficit de leitura e na fotofobia. Normalmente hereditária (pelo menos um dos pais dos pacientes apresenta sintomas em 84% dos casos), a síndrome surge de forma evidente nos períodos de maior demanda visual, especialmente entre crianças e adolescentes nas atividades escolares. As queixas mais comuns são brilho excessivo ou reflexos no papel branco, que competem com as letras e dificultam a leitura.

Como tratar?
Além das intervenções pedagógicas, psicológicas e médicas usuais, os pacientes com Síndrome de Irlen podem utilizar overlays (lâminas transparentes de diversos tons de cor) para a leitura e filtros especiais que são colocados nos óculos. Esses recursos podem neutralizar os sintomas e trazer maior qualidade de vida aos pacientes. O Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães possui tecnologia e profissionais especializados para o diagnóstico e tratamento da Síndrome de Irlen.

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